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ANOrick_wakemanS 70, A MAGIA

No Yes, Wakeman passou a se apresentar ao vivo rodeado de teclados. Usava também uma comprida capa
brilhante que, junto com sua cabeleira loura, formava notável visual. Com o Yes gravou os discos “Fragile” (1971),
que foi muito bem recebido pela crítica, “Close to the Edge” (1972), com a faixa título ocupando um dos lados
inteiros do LP, “Yessongs” (1973) ao vivo, enquanto paralelamente prepara seu primeiro disco solo “The Six Wives
Of Henry VIII” (1973). Alguns trechos do que viria a ser esse trabalho podem ser apreciados já no disco “Yessongs”.
Começam os rumores de que Rick estaria deixando o Yes para se dedicar a carreira solo.
“Six Wives” é considerado pela crítica seu melhor trabalho até hoje. O disco era completamente instrumental e
contava com a participação de seus colegas do Yes, assim como alguns ex-colegas do Strawbs. Em 1973, após a
gravação do duplo “Tales From Topographic Oceans” com o Yes, deixa o grupo em meio a muita briga. A crítica
massacrou esse disco. Rick também não gostou de “Tales From…”, inclusive dando declarações negativas para a
imprensa. Isso deixou o ambiente ainda mais carregado entre os outros membros da banda que já não
suportavam mais o “estrelismo” de Wakeman.Rick partiu para a carreira solo e no começo de 1974 apresenta ao vivo o que viria a ser seu maior sucesso em todos os tempos, “Journey To The Centre Of The Earth”, uma ópera rock aseada no livro de Julio Verne, acompanhado da Orquestra Sinfônica de Londres e do Coral de Câmara Inglês, além de uma banda de rock e um
narrador. O disco vendeu, e ainda vende, milhões em todo o mundo e Rick definitivamente virou Superstar. Saiu
em turnê pela Europa, Estados Unidos, Japão e Austrália. Estádios lotados e sucesso absoluto. Começa então a
trabalhar em um projeto ainda mais arrojado tendo como tema a lenda do Rei Arthur. “The Myths And Legends Of
King Arthur And The Knights Of The Round Table” de 1975 também conta com a participação da Orquestra
Sinfônica de Londres e do Coral de Câmara Inglês, além de uma banda de rock. Para as apresentações ao vivo
Wakeman não deixou por menos e montou um balé no gelo ao estilo “Holiday on Ice”. O show foi um sucesso
mas mesmo assim deu prejuízo, tantas eram as pessoas envolvidas no projeto. A gravadora não topou mais bancar
as megalomanias de Rick e o dinheiro começou a acabar. Durante a turnê, Rick Wakeman, então com apenas 25
anos, sofre um princípio de infarte sem maiores conseqüências. Rick decide acabar com as mega-apresentações e
passou a atuar apenas com sua banda de rock. Nesse mesmo ano lança a trilha sonora do filme “Lisztomania” de
Ken Russell, além de fazer uma ponta como ator no filme. No final de 75 recebe um convite da Rede Glodo para
apresentar no Brasil a “Viagem ao Centro da Terra” e o “Rei Arthur” ao lado da Orquestra Sinfônica Brasileira e do
Coral da Universidade Gama Filho. O show fazia parte do encerramento do Projeto Aquários daquele ano. O
Projeto Aquários era uma iniciativa da Rede Globo e visava popularizar a música clássica. Dessa forma, nada
melhor do que convidar Rick Wakeman para o encerramento. Como a Globo iria bancar todas as despesas com a
orquestra e coral, Rick topou na hora. Aquele foi um dos primeiros grandes shows de Rock a passar pelo Brasil,
antes de nosso país entrar na rota das bandas internacionais. Wakeman lotou o Maracanãzinho no Rio, o Ginásio
da Portuguesa em São Paulo, além de se apresentar em outras capitais. As narrações foram feitas em português pelos atores Paulo Autran, em São Paulo e Murilo Neri no Rio de Janeiro. Durante sua visita pelo
Brasil jogou futebol no Maracanã contra um time de artistas brasileiros entre os quais estavam Paulinho da Viola e
Chico Buarque.
Em 76 lança o interessante “No Earthly Connection” que acabou não vendendo muito. Pelos planos de Rick o disco
seria um álbum duplo, mas a gravadora não liberou o dinheiro necessário. Em 77, cheio de problemas financeiros
e fugindo do imposto de renda inglês, Rick passa a morar na Suíça. Lança a trilha sonora “White Rock” e começa a
trabalhar no ótimo “Criminal Record”. Ainda em 77, para surpresa dos fãs, Rick volta ao Yes, mas antes ainda
participou da gravação de alguns discos do Black Sabbath como músico de estúdio. Como Rick não podia por os
pés na Inglaterra, a banda resolveu gravar seu novo disco, o fantástico “Going For The One”, na Suíça. Wakeman
ainda contou com a participação dos colegas do Yes em “Criminal Record”, com certeza um de seus mais belos
trabalhos. O movimento Punk havia começado na Europa e trabalhos elaborados como os de Rick ou Yes
começaram a perder a atenção do público e também das gravadoras. Isso tudo veio a se agravar com o
lançamento do filme “Os Embalos de Sábado a Noite” com John Travolta e o “estouro” da “Discomusic” logo a
seguir. O Yes lança em 79 “Tormato” com um som um pouco mais “moderno” mas que não salvou o disco do
fracasso. Neste mesmo ano Wakeman lança o álbum duplo “Rhapsodies” incluindo a música “Pedra da Gávea”
feita em homenagem ao Rio de Janeiro e rompe com a gravadora A&M da qual era contratado desde os tempos
do Strawbs. Logo em seguida, no começo de 1980, deixa mais uma vez o Yes.

ANOS 80, OS SELOS INDEP2d6cdfa6-7c8c-4e23-91b6-d232407bb192ENDENTES

Em 81 assina com a gravadora Charisma e lança “1984”, ópera rock baseada no livro de George Orwell. O disco
marca algumas mudanças na carreira de Rick. Além da nova gravadora, pela primeira vez Wakeman pede ajuda de
alguém “de fora” para a composição das letras. O escolhido foi Tim Rice, famoso pelotrabalho realizado
anteriormente em outras óperas rock como “Evita” e “Jesus Cristo Supertar”. Além da presença de uma orquestra e
coral, o disco tem a participação da cantora Chaka Kan e do vocalista do Yes, Jon Anderson, entre outros. A
excursão inclui o Brasil onde mais uma vez lotou ginásios. Ainda em 81, lança a trilha sonora para o filme “The
Burning”. No ano seguinte sai seu disco mais estranho até então, “Rock’n’Roll Prophet”, onde Rick se atreve a
cantar. Até então sempre havia convidado cantores para participar de seus discos. O disco é lançado pela
gravadora independente Moon Records, o que logo o tornou uma raridade. Na contra capa do disco, Rick aparece
ao lado da modelo e atriz inglesa Nina Carther, com quem viria a se casar. Nessa época Rick estava passando por
uma situação difícil, dois casamentos fracassados e problemas com a bebida alcóolica. O casamento com Nina
teve importante papel na reabilitação de Rick. Passam a morar na Ilha de Man, na costa Inglesa, e adotam a
religião Batista, que viria a influenciar os futuros trabalhos de Wakeman. Em 83, ainda pela Charisma, lança a trilha
sonora oficial da copa do mundo de 82 “G’olé!”, seu último disco a ser lançado no Brasil até então, e “The Cost Of
Living “ também com a colaboração de Tim Rice. A partir desse ano, para desespero dos fãs colecionadores, seus
discos passam a sair por gravadoras independentes européias. Rick começa a trabalhar em um ritmo cada vez mais
frenético lançando até seis discos por ano. Trilhas sonoras, música New Age, discos pianísticos, rock e música
religiosa. Muitos trabalhos são apenas curiosidades e interessam apenas aos colecionadores como por exemplo “In The Beginning” de 1990, em que Rick faz apenas um fundo musical enquanto sua esposa Nina lê trechos da
Bíblia. Dos trabalhos lançados durante os anos 80 podemos destacar os seguintes discos:
– O pianístico “Country Airs” de 86, que deu início a uma trilogia que viria a ser completada com “Sea Airs” (1989) e Night Airs” (1990).
– O ambicioso e belíssimo duplo “The Gospels” de 1987, onde Rick faz quatro mini oratórios de 20 minutos cada,
um para cada Evangelho da Bíblia. Conta com a participação do tenor Ramon Remédios e um coral.
– “A Suite Of Gods” de 1988, outro belíssimo disco com sonoridade New Age gravado em parceria com o tenor Ramon Remedios.
– “Time Machine” de 1988, disco basicamente de Rock que tem, entre outros convidados, o cantor Roy Wood da Electric Light Orchestra.
Em 1989, Rick Wakeman é convidado por Jon Anderson a participar de um projeto que reuniria antigos membros
do Yes. Ao lado de Steve Howe e Bill Bruford grava o disco “Anderson, Bruford, Wakeman, Howe” resgatando toda
a sonoridade dos tempos áureos do Yes. Inicialmente o quarteto iria adotar o nome de Yes, mas o baixista Chris
Squire, que não quis de reunir aos antigos colegas, entrou com um processo na justiça proibindo o uso do nome.
O fato é que o disco do “ABWH” vendeu bem, o que originou uma bem sucedida turnê que pode ser conferida no
CD duplo “An Evening Of Yes Music Plus” e também no vídeo do mesmo nome.

ANOrickwakeman3S 90, A VOLTA DO PROGRESSIVO

Os anos 90 começam com uma certa nostalgia da década de 70. Vários “dinossauros” do Rock voltam às
atividades em suas formações originais. Os discos de Rick Wakeman continuaram a ser lançados às dezenas. Em
91, durante as gravações do que seria o segundo disco do “ABWH”, Chris Squire aparece no estúdio e é convidado
a tocar em algumas músicas. Imediatamente, Jon Anderson tem uma idéia mirabolante; reunir em um único disco
os principais músicos que passaram pelo Yes. Foi aí que foi lançado o “Union”, disco do Yes que reúne pela
primeira vez juntos o vocalista Jon Anderson, os guitarristas Steve Howe e Trevor Rabin, os tecladistas Rick
Wakeman e Tony Kaye, o baixista Chris Squire e os dois bateristas Alan White e Bill Bruford. Após o lançamento do
disco, saem em turnê pela Europa e Estados Unidos. Nunca se viu coisa igual na história do Rock. O palco ficou
pequeno para tantas “feras”. Infelizmente, o que é bom dura pouco. Como havia vários empresários e advogados
envolvidos, logo começaram os desentendimentos e Rick Wakeman mais uma vez deixa o Yes. Ainda foi
convidado por Trevor Rabin para participar do disco “Talk” de 93, mas recusou. Em 93, junto com o filho Adam,
também tecladista, lança o CD “Wakeman With Wakeman”. Vem ao Brasil pela terceira vez e se apresenta ao lado
do filho em várias capitais. Os dois inclusive concederam uma divertida entrevista no programa Jô Soares Onze e
Meia. Adam passa a ter importante participação nos futuros trabalhos do papai Rick, tanto em apresentações ao
vivo como em estúdio. Além disso o garoto também já tem sua própria carreira com três discos solo já gravados.
Os discos de Rick continuam saindo às dezenas.
Nos anos 90 destacamos:
– “Black Knights In The Court Of Ferdinand IV” de 1990, ao lado do cantor e baterista italiano Mario Fasciano. O
disco é belíssimo e tem, como curiosidade, as canções todas cantadas no dialeto napolitano.
– O fantástico “King John And The Magna Charter” de 91, que apesar de não ser acompanhado por uma orquestra
tem um som épico muito parecido com o “Rei Arthur”.
– “Romance Of The Victorian Age” de 1994, em que Rick ao lado do filho Adam interpreta belas composições ao piano.
– “The New Gospels” de 1995, que é uma versão revista e ampliada do belo “The Gospels”, lançado originalmente
em 87. Disco que reafirma com toda a força sua fé cristã.
No final de 1996, Rick Wakeman retorna mais uma vez ao Yes para algumas apresentações e a gravação do disco
“Keys To Ascension”. O CD era duplo, sendo que um dos discos tinha o registro de uma apresentação ao vivo e o
outro faixas inéditas gravadas em estúdio. Houve um novo desentendimento. Wakeman queria que o disco com as
gravações em estúdio fosse lançado separadamente do disco ao vivo. Segundo ele, o Yes estaria desperdiçando
um ótimo material de estúdio lançando o disco naquele formato. Mais uma vez Wakeman estava fora do Yes e,
segundo ele, definitivamente. É esperar para ver. No ano seguinte, o Yes lança “Keys To Ascension II”, outro duplo
no mesmo formato do anterior; um disco ao vivo e outro em estúdio, ainda com a participação de Rick nos
teclados. A crítica especializada adorou o disco de estúdio, chegando até a compará-lo a “Going For The One” de 1977.

RETORNO AO CENTRO DA TERRARick Wakeman

Desde que acabou sua “fase áurea” no final dos anos 70, Rick Wakeman tem se vrado como pode para fazer o
tipo de música no qual sempre acreditou. Teve problemas financeiros, problemas de saúde e muitos de seus
projetos continuam engavetados simplesmente por falta de uma gravadora que acredite nele. Para se ter uma
idéia da situação de Rick, basta dizer que ele teve de vender os direitos autorais da maioria de suas obras,
incluindo aí todos os clássicos dos anos 70! O fato de não se render ao esquema das grandes gravadoras o
obrigou, no começo dos anos 80, a partir para os selos independentes. Mas nem tudo está perdido. No final de
1997 uma grande multinacional, a EMI Classics, ofereceu a Rick a oportunidade de gravar um novo “épico” ao
estilo de “Viagem ao Centro da Terra” e “Rei Arthur”. Imediatamente, Rick tirou de seu arquivo “Return To The
Centre Of The Earth”, obra em que ele vinha trabalhando há alguns anos, mas que não tinha esperanças de vir a
gravar algum dia. Depois que recebeu carta branca da EMI, rescreveu toda a obra e contratou a Orquestra
Sinfônica de Londres e o Coral de Câmara Inglês. Escolheu como narrador o ator Patrick Stewart, mais conhecido
como o capitão Jean Luc Picard da série Strar Treck a Nova Geração. Convidou os cantores que queria, entre eles:
Ozzy Osborne, Trevor Rabin do Yes e Justin Hayward do Mood Blues. Rick passou o ano de 98 inteiro trabalhando
nas gravações, que foram feitas nos mais diferentes estúdios da Europa e Estados Unidos. “Return To The Centre
Of The Earth” é bem uma continuação de “Journey To The Centre Of The Earth” só que muito mais elaborada.
“Return…” tem o dobro do tamanho de “Journey…”, ou seja, mais de 75 minutos. O CD foi gravado no sistema
“Dolby Surround” isto é, o feliz proprietário de um aparelho “Home Theater” vai ter uma experiência e tanto. Tratase
de uma obra prima, e é impossível para um fã de Rick Wakeman, que o acompanha desde o início, não se emocionar ao ouvir o CD. A EMI deu a Rick a idéia de lançar “Return…” em janeiro de 1999, justamente em
comemoração aos 25 anos de “Journey…”. O problema é que no final das gravações, em dezembro de 98,
Wakeman teve novo problema de saúde. Uma forte pneumonia parou um de seus pulmões e reduziu pela metade
a capacidade do outro, devido a estafa a que Rick vinha se submetendo durante as gravações. Durante a fase de
finalização dos trabalhos ele simplesmente não dormia. Felizmente tudo correu bem, e em Março de 1999 o disco
foi lançado mundialmente, inclusive no Brasil. Mesmo com todo o agito em cima do lançamento de Return…, Rick
Wakeman não pára. Só para se ter uma idéia, no primeiro semestre de 1999, mesmo com o lançamento de
“Return…”, foram lançados quatro CDs inéditos por gravadoras independentes:
– “Stella Bianca Alla Corte Di Re Ferdinando” lançado somente na Itália em parceria com o cantor e baterista Mario
Fasciano, com quem já havia gravado “Black Knigths…” em 1990.
– “White Rock II”, instrumental
– “Art In Music Trilogy” e The Natural World Trilogy”, dois CDs triplos de sonoridade New Age.
Em janeiro de 2000, foi lançado o CD pianístico “Preludes To a Century” e “The Chronicles Of Man”, outro
pianístico. Segundo Rick, já estão compostas todas as músicas para um trabalho a ser lançado em parceria com
Keith Emerson! Rick Wakeman é dono de uma das maiores e mais variadas discografias da história da música. É
impossível dizer com precisão quantos trabalhos solo e participações já realizou até hoje. Quando pensamos que a
coleção está completa, sempre ficamos sabendo de um outro disco que não consta dos catálogos. Possivelmente
nem o próprio Rick tenha idéia da quantidade exata de trabalhos lançados. Para finalizar, fica a frase dita por Rick em uma entrevista; “Há apenas dois tipos de música; as que são lembradas e as que são
esquecidas.” Com certeza a música de Rick Wakeman tem lugar entre as músicas que são lembradas.